12 de jul de 2013

[RESENHA] Charlotte Street, de Danny Wallace


Charlotte Street Título Original: Charlotte Street
Editora: Novo Conceito
Ano: 2012
Páginas: 400
Skoob



Tudo começa com uma garota... (porque sim, sempre há uma garota...) Jason Priestley acabou de vê-la. Eles partilharam de um momento incrível e rápido de profunda possibilidade, em algum lugar da Charlotte Street. E então, em um piscar de olhos, ela partiu deixando-o, acidentalmente, segurando sua câmera descartável, com o filme de fotos completo... E agora Jason — ex-professor, ex-namorado, escritor e herói relutante — se depara com um dilema. Deveria tentar seguir A Garota? E se ela for A garota? Mas aquilo significaria utilizar suas únicas pistas, que estão ainda intocáveis em seu poder... É engraçado como as coisas algumas situações se desenrolam...
Sabe quando você tem expectativas enormes para um livro e, quando vai lê-lo, ele corresponde exatamente a sua ideia de perfeição?
Pois é. Não foi o que aconteceu com Charlotte Street.
Tudo bem, eu estava esperando maravilhas do livro e fiquei surpresa com o quanto desgostei dele. Fiquei a um passo de abandoná-lo e só não o fiz porque uma amiga do ♥ que o tinha amado me disse para seguir até o fim. Tá, olha, não me arrependi. Mas mesmo assim, gostaria de saber onde estava me metendo.
Naaah.


Porque uma coisa que eu odeio com relação à esperança — o que desprezo nela, o que ninguém parece admitir sobre ela — é que, de repente, ter esperança é a rota mais fácil para escapar da desesperança. 


Jason Priestley não o ator de Barrados no Baile, e sim o ex-professor de trinta e dois anos que mora em cima de uma loja de videogames que fica entre uma agência de notícias polonesa e lugar que todo mundo pensa ser um bordel, mas não é estava passando pela Charlotte Street quando aconteceu. Ele viu essa garota e a ajudou com as malas para entrar em um táxi, e acabou com a câmera fotográfica descartável dela. Após enfrentar toda uma guerra interior sobre revelar ou não as fotos, ele e seu melhor amigo Dev o fazem. As fotos tornam-se pistas para que Jason possa, novamente, ver A Garota e entregar-lhe sua câmera (ou suas fotos, tanto faz).
Olhando assim, parece uma história interessante — e de fato é. De início. Mesmo que muito confusa e cansativa, a narrativa de Danny tem seu toque de humor, prático e necessário para todo chick-lit. A história se passa em Londres. Isso fica muito claro, principalmente pelo número de piadas regionalistas que o autor inclui no seu texto. E Londres é sempre um bom cenário. Além disso, praticamente todos os personagens (com a exceção do Jason) são, de certa forma, apaixonantes. Mesmo A Garota que você mal conhece.
E, ainda assim, eu o marquei com duas estrelinhas no Skoob, porque... honestamente, ele mereceu. Foi uma leitura extremamente chata. A narrativa de Danny é confusa, desgastante e, por vezes, eu me vi a ponto de largar o kindle e esquecer aquele arquivo para sempre. O autor nos transporta de uma cena para outra sem mais nem menos, por muitas vezes os diálogos não tem o menor sentido e Jason é o protagonista mais irritante e autodegradante da história.
Ele basicamente passa o livro inteiro se lamentando por ter perdido sua ex-mulher, embora a culpa toda fosse dele (você entende isso conforme for lendo). Ele se lamenta pelo que aconteceu no trabalho, na rua, em sua casa, com sua ex-mulher, com a própria Garota, o tempo inteiro. Aaaaaaarrrrrgh.
E mesmo que os personagens secundários valham a pena (como Dev, Abbey, Zoe, a própria Sarah), o fato de a história ser de fato narrada em primeira pessoa e essa primeira pessoa ser um porre, torna o livro ruim. Embora o que mais me chateou tenha sido a narrativa desflexível, que me fez muitas vezes reler o mesmo parágrafo para entender o que estava acontecendo.
Não recomendo, mas as opiniões em geral sobre esse livro são muito divergentes. Digo, eu não gostei, mas pode ser que você ame, como uma boa parte das pessoas que o leram. Vai saber...
Um ponto positivo que esqueci de citar: o final do livro. Não que eu tenha ficado muito satisfeita, mas posso dizer que o que honestamente valeu a pena nessa leitura toda, foi o último parágrafo do último capítulo.
Um ponto negativo que esqueci de citar: a tradução. Não sei o que passava na cabeça de quem traduziu esse livro, mas, gente, REAIS em LONDRES?! Quem de fato leria um livro chamado CHARLOTTE STREET sem saber que a moeda de LONDRES é a LIBRA?! Pelo amor de Deus!
Se eu leria outros livros de Wallace? Sim. Mas, dessa vez, esperando o pior.



9 de jul de 2013

[PLAYLIST] Músicas sobre suicídio

Wow! Que melodramático. Sarah, você realmente vai fazer a primeira playlist desse blog falando sobre suicídio?!?!
Sim, eu vou. RÁ.
Eu tenho pensado sobre isso, sabe. Suicídio. E, NÃO, NÃO SE APAVORE, eu não tenho pensado em me suicidar. Tenho pensado no que faz com que as pessoas acabem com a própria vida. Principalmente depois de ler Os 13 Porquês (prometo resenha em breve, ok?), que é um livro dessa temática. É um ótimo livro, se vocês querem saber.
E, bem, hoje eu estava conversando com uma amiga sobre as músicas que falam sobre esse tabu. Que conseguem, sei lá como, abordar esse assunto e perturbar as pessoas que são highly sensitve, como a autora que lhes escreve. A gente estava falando sobre o quanto essas músicas mexem com a gente e fazem a gente pensar, e chorar, e ficar triste pelo que aconteceu com a pessoa para quem aquela música era. Sério! Esse tipo de música existe!
Decidi, então, que tinha que compartilhar com vocês. Afinal, olha! Tem uma coluna sobre música nesse blog. 
Vamos dividir experiências musicais.


1. A Balada da Bailarina Torta - A Banda Mais Bonita da Cidade



Vou ser fofa e começar com uma um pouco mais tranquila do que as demais que vou citar aqui. Faz bem pouco tempo que conheci A Banda Mais Bonita da Cidade e, apesar do nome (que sugere coisas fofinhas e amores e etcs), boa parte das músicas desses bonitos falam sobre suicídio. Ai, hein?
Enfim. Isso não me faz amá-los menos.
Como boa parte das canções, essa conta uma história. Ela tem um tom mais antiquado, iniciada com piano e voz. É o tipo de música que, ou você ama, ou odeia. Conhecemos essa "bailarina torta" que teve esse monte de decepções na vida (e provavelmente era alcoólatra?). Nas últimas estrofes da música, a bailarina torta, "deitou / e então silenciou".
Quantas pessoas não pensam em "silenciar" depois de perder um amor? Depois de falhar em tudo aquilo o que mais amava?
Não estou escrevendo nada com nada, mas ninguém me tira da cabeça que essa é uma música que fala sobre o suicídio de uma pessoa fracassada. Uau. Isso dói.

Música: A Balada da Bailarina Torta

Intérprete: A Banda Mais Bonita da Cidade

Disco: A Banda Mais Bonita da Cidade

Ano: 2011

Compositor: Léo Fressato
Nível de impulso suicida:


2. When It Rains - Paramore
 

Essa não é especificamente uma música que fala sobre o suicida. Não. Essa música fala sobre os amigos da pessoa que se suicidou o refrão mostra claramente a indignação, cheia de tristeza: "oh, oh, como você pôde fazer isso?". Entretanto, como deveríamos esperar, a letra não implora ao suicida que volte à vida ou algo assim.
Ela apenas quer saber o que aconteceu.
A maior parte das pessoas não sabe que When It Rains é sobre suicídio, mas é. Um amigo da banda tirou sua própria vida e, em contrapartida, Josh Farro e Hayley Williams uniram seus talentos e escreveram uma das melhores músicas do álbum.

"E quando chove
Você sempre encontra uma saída
Simplesmente fugindo de todos que te amam
De tudo
Você preparou sua cama no fundo do buraco mais negro"


Eu não sei o que faria se um amigo se suicidasse, mas com certeza ficaria indignadamente triste por não ter tido uma chance de entender. Como muitas outras doenças, a depressão se manifesta de forma silenciosa. Só acontece ali, na cabeça da pessoa. A gente não sabe quando vem.
O significado dessa música mudou tudo.

Música: When It Rains 

Intérprete: Paramore

Disco: Riot!

Ano: 2007

Compositor: Hayley Williams; Josh Farro; Zac Farro.
Nível de impulso suicida:

 3. Clarisse - Legião Urbana

  
 



Ai, meu Deus. Eu não sei o que escrever sobre essa música. Honestamente, não me acho ninguém para falar sobre a imensidão artística desses caras. Mas, deixe-me dizer a você o que acontece quando eu escuto essa música: eu a sinto. Eu peço a você: pare pelos próximos oito minutos. Beba cada palavra. Sinta. E volte aqui.
Não há mais o que dizer.
Essa música foi só mais uma citada por aquela minha amiga, quando estávamos conversando sobre esse tipo de música. Eu nunca a havia escutado antes; até escutar. Até sentir tudo isso, toda a imensidão da cabeça de uma menina depressiva, que se corta, que tentou se matar.


"E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarisse sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ela conhece muito bem"


É uma música da Legião Urbana. É grande, tem uma letra forte, é extremamente bem feita. E mexe, mexe de verdade com as pessoas. Mesmo sem nunca ter tido depressão na vida, não posso deixar de ficar triste ao escutá-la e entender o que a Clarisse passa. 
Meu Deus.
Música: Clarisse
Intérprete: Legião Urbana
Disco: Uma Outra Estação
Ano: 1997
Compositor: Dado Villa-Lobos; Renato Russo.
Nível de impulso suicida:     
4. Asleep - The Smiths



Eu não conheço quase nada de Smiths. Asleep deve ser uma das três músicas que escuto deles (acompanhadas daquelas outras duas que passam no filme 500 days of Summer). Mas, como boa parte das pessoas que conheço (e que têm menos de trinta anos), vim a conhecer essa música ao fazer a leitura de As Vantagens de Ser Invisível. Para quem nunca leu o livro, deixe-me adiantar que ele é extremamente forte, sincero e atordoador. Eu ainda não encontrei um livro que mexesse tanto comigo.
Então, de certa forma, a canção dos Smiths só tem o mesmo efeito do livro sobre mim. Isso faz algum sentido?

"Eu não quero mais acordar
Não se sinta mal por mim
Eu quero que você saiba
No fundo da cela de meu coração
Eu ficarei feliz de ir
Há um outro mundo
Há um mundo melhor"


Então, é uma música que fala sobre uma pessoa que "não quer mais acordar", claramente falando sobre o suicídio. Ela pede a essa pessoa para que não se sinta mal por isso. Ela acredita que deve haver um mundo melhor do que este.
A simplicidade da letra, acompanhada da melodia calma, me reflete muito o que As Vantagens de Ser Invisível exerceu sobre mim.
Um suicídio por cansaço.

Música: Asleep

Intérprete: The Smiths

Disco: The World Won't Listen

Ano: 1987

Compositor: Johnny Marr; Morrissey.
Nível de impulso suicida:
 
5. Solitária - A Banda Mais Bonita da Cidade



O melhor para o final. Yay!
Não sei se existe uma política de playlist em blogs literários mas, com certeza, se tiver, ela deve proibir o uso de mais de uma música da mesma banda. Mas não me importo, e veremos a Banda Mais Bonita novamente.
Solitária é aquela espécie de música que você precisa parar para ouvir. Precisa ouvir cada palavra algumas vezes e tirar uma boa conclusão sobre o que ela está tentando passar.
Então você se arrepia inteiro no momento em que o poema "Se Você Quer Ser Um Guitarrista do Iron Maiden" começa a ser declamado, entre uma estrofe e outra. Meu Deus.


"E a aliança eu deixei pra você pagar as contas
Não levo comigo celular nem a escova
Somente sua lâmina de barbear
E uma desesperança

Chegando lá vou ficar bêbada de querosene
Vou raspar os cabelos até perder a cabeça
Vou cometer haraquiri
Mesmo sabendo que nesse momento você ri"


"Haraquiri s.m.: Entre os japoneses, suicídio de honra e que consiste em o suicida abrir o próprio ventre."
Eu acho que... vou deixar vocês pensarem por si mesmos.

Música: Solitária
Intérprete: A Banda Mais Bonita da Cidade

Disco: A Banda Mais Bonita da Cidade

Ano: 2011

Compositor: Luiz Felipe Leprevost; Troy Rossilho; Matheus Lacerda; Carlito Birolli.
Nível de impulso suicida:  
Se você, por acaso, se enquadra em algum dos contextos marcados pelas músicas citadas acima, dê às pessoas que te amam uma chance de te ajudar. Procure seus pais, amigos, professores, um psicólogo. Suicídio não é a resposta.
Deixo claro novamente que não tenho esse tipo de impulso. Eu só sinto demais as coisas, sabem? Tem um amigo meu que diz que eu sou muito "sentidora". Existe uma música da Mallu Magalhães que fala sobre esse tipo de pessoa e, eu totalmente sou uma delas.
Enfim... essa foi a primeira playlist do (con), o que significa que haverão outras! Mais felizinhas, prometo. Meu intuito aqui é sempre espalhar amor. Ou sentimento.
Mas e você, conhece alguma música que fale sobre esse assunto? Vamos trocar experiências musicais :3
Muito amor ♥

2 de jul de 2013

[Livro X Filme] Percy Jackson e o Ladrão de Raios






E AQUI ESTÁMOS NÓS! Meses depois da primeira postagem mais lida da história desse Blog (!!!), a tão aguardada e épica sequência de Livro versus Filme, no novo (con)! Sem poder ser diferente, o nosso alvo de comparação hoje é, também, um dos best-sellers do Times (que des-ban-cou e ar-ra-sou lá no topo por cento e cinquenta e cinco semanas). Dono de uma grande massa de fãs pelo mundo. Um garoto filho de um deus que deu a Rick Riordan dinheiro o suficiente para sustentar até a sua nonagésima quarta geração no lusho. Rufem os tambores...
Percy Jackson e o Ladrão de Raios!!! *ovação*
Como boa parte da população, a garota que vos fala assistiu ao filme antes de ler o livro. E, para falar sério? Eu achava o filme de Percy Jackson e o Ladrão de Raios simplesmente maravilhoso! Amava os efeitos especiais, o desenvolvimento da trama, os atores, o relacionamento de Percy e Annabeth, Grover... amava tudo!
Aí eu li o livro.

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Não vamos ser maus. Nós sabemos, afinal, que a adaptação de uma obra literária é extremamente difícil de se realizar. Sabemos que o tempo designado para um filme é estupidamente pequeno. Sabemos, acima disso, que o filme é bom; o elenco é de arrasar, os monstros mitológicos dão até um arrepio na espinha, e a trama ficou... né, legalzinha.
Mas aqui eu trabalho com comparações. E, honestamente, se nós formos comparar o filme Percy Jackson e o Ladrão de Raios com o livro Percy Jackson e os Olimpianos: Ladrão de Raios...



Piadinhas à parte, é, eu não gostei da adaptação. E olha que eu sou muito razoável quando se trata disso! (Ver Livro X Filme: O Diabo Veste Prada, em que eu fui amável, compreensiva, doce, sensível, fofa, e mentirosa). A questão é que Percy Jackson tinha absolutamente tudo para tornar-se não só um marco literário, mas também um marco cinematográfico.
Eeer. Não foi o que rolou.

AVISO: Este artigo contém (muitos!) spoilers.








Todo mundo que é minimamente ligado à literatura já ouviu falar de Rick Riordan. Confesso, eu estava louca para ler qualquer coisa dele (vinha procrastinando a leitura de Percy Jackson há mais ou menos dois milênios), portanto, quando me surgiu a oportunidade, agarrei-a.
Eu não achei que fosse gostar tanto do livro quanto gostei.
O Tio Rick é simplesmente maravilhoso no que faz. Percy Jackson e os Olimpianos é uma saga de livros infanto-juvenil, de modo que... hum, é fácil de ler. Quase tão fácil quanto Harry Potter. Matei muitas aulas de química para ler este livro no fundo da sala, sério. A narrativa é deliciosa e flui tão rápido que eu não conseguia acreditar. O livro é contado em primeira pessoa — Percy Jackson, um garoto de recentes doze anos de idade, disléxico, que descobre ser um semideus após de um punhado de reviravoltas. A obra é muito bem amarrada, tem a conta certa de humor, aventura, amizade...
Enfim! É um daqueles livros que — mesmo sendo infanto-juvenil — fazem você devorar em uma tarde e ficar imaginando como seria sua vida se, de repente, um sátiro aparecesse e te levasse para o Acampamento Meio-Sangue. Tipo, te dá vontade de lutar! Eu sou filha de Atena, gente, eu fiz o teste!
Não tem outra palavra que descreveria Percy Jackson e os Olimpianos tão bem quanto: maravilhoso. Sério! Rick Riordan é o máximo!
O único erro dele foi deixar que a Fox nomeasse Craig Titley como roteirista do filme.
Percy Jackson? Livrinho das criança.
Vou faze 1 filme de açaum manow, pq eo sei
das parada, tá ligado?

Como eu disse, não sou fã da série (apesar de lê-la estar sendo uma maravilha só), mas — como toda vez em que vou escrever essa coluna —, fiz questão de dar uma olhada em como foi a comoção dos “semideuses” antes do lançamento do filme e, aparentemente, Craig já era um filho de uma mãe muito antes de eles descobrirem que a adaptação estava uma bosta.
Não vou citar fatos concretos aqui porque, afinal, não sei se a fonte é confiável. Estou me baseando em relatos de fãs que li na Internet. (Mas *cofcofcof* aparentemente *cofcofcof* ele falou que Percy Jackson era uma série boba de crianças *cofcofcof* falou também que queria realizar um filme de ação e não um filme de crianças lutando *cofcofcof* disse, além disso, que os personagens pareciam ter nove anos ao invés de doze *cofcofcofcofcof*)
Gente, que tosse! Vou te falar, essa gripe tá pegando todo mundo...
Eu honestamente não me importo que o roteirista mude algumas coisas do livro para fazer com que o filme fique, de fato, melhor (como aconteceu em O Diabo Veste Prada). Mas quando esse roteirista desgraçado faz isso só por desmerecer o bom trabalho do autor, bem...
Perdoem-me, mas vou usar esse meu pequeno meio de comunicação para dizer que EU ESPERO QUE ESSE TAL DE CRAIG TITLEY SEJA PERSEGUIDO POR FÚRIAS E LEVADO PARA AS PROFUNDEZAS DO TÁRTARO, FILHO DA #@$&*¨@*(&!@!!!!!!!
O Craig, genial como é, decidiu que a Percy receber uma missão pelo oráculo para ir ao Mundo Inferior e recuperar o raio roubado de Zeus era, sabe, bobagem. Achou bobagem incluir Ares — o célebre deus da guerra — e sua filha, Clarisse, que faz o terror de Percy a primeiro momento. Acha bobagem que Percy tenha uma relação de amizade-ódio com Annabeth (não, tensão sexual entre adolescentes é bem melhor, né?). Acha bobagem que EXISTA UMA LENDA SUPERIMPORTANTE PARA A SEQUÊNCIA DOS FILMES. Então, ele simplesmente corta. Naah. Ninguém se importa, mesmo, não é?
(Eu realmente estou com raiva.)
O filme é tão diferente do livro que dá vontade de chorar. Juntamente com Chris Columbus (o mesmo cara que dirigiu Harry Potter e a Pedra Filosofal e Harry Potter e a Câmara Secreta), Craig Titley praticamente destruiu o enredo o livro e construiu outro em cima, com os mesmos nomes dos personagens. Não dá pra negar que o filme ficou bom; mas só para quem nunca leu o livro. Porque, só para começar, os personagens de Percy Jackson e os Olimpianos: O Ladrão de Raios têm doze anos de idade. Eles não são jovens-adultos completamente atraentes e gostosos. (Nada contra jovens-adultos completamente atraentes e gostosos.) São pré-adolescentes inteligentes, espirituosos, aventureiros e que sabem o valor de uma verdadeira amizade. Poxa!
Não desejo a morte para ninguém, mas Craig bem que podia... sei lá, pisar em uma peça de lego ou algo assim.




Só para começar, eu podia encerrar essa coluna com um: OS PERSONAGENS REAIS SÃO CRIANÇAS E EU SÓ APROVEI JAKE ABEL COMO LUKE E UMA THURMAN COMO MEDUSA. Mas acho que isso seria muito antiprofissional da minha parte. Portanto, vou esquecer durante um momentinho a verdadeira idade dos personagens principais da trama e julgar de maneira imparcial.
  • ·         Logan Lerman interpreta Percy Jackson e... tá, tá. É complicado analisar isso justamente quando eu já iniciei minha leitura imaginando meu Percy com o cabelo escuro, pele branca, olhos azuis. De certo modo, a personificação do filho de Poseidon coube perfeitamente nesse menino (e, convenhamos, ele é lindo). Além disso, ele também é um ótimo ator, e acho que todos os que leram PJO antes de assistirem ao filme, passaram a imaginar Percy como Logan.
 
Logan Lerman as Perseu Jackson. Aprovado!

 
  •  Alexandra Daddario interpreta Annabeth Chase, e... ouch. Concordamos que a Alexandra é uma das atrizes mais bonitas da atualidade, correto? Concordamos também que uma das razões de ela não ter desempenhado tão bem o papel de Annabeth foi porque a Annabeth do filme é completamente diferente da Annabeth do livro. Tá, tudo bem, ela fez o seu melhor, mas não me passou... o que Annabeth deveria ter passado. É claro que é só minha opinião. Além disso, CUSTAVA TER PINTADO O CABELO DA MENINA DE LOIRO, CARAMBA?!
    (No trailer de O Mar de Monstros, a sequência de O Ladrão de Raios, ela aparece com as madeixas amarelas. Vamos ver, né?! Minha sugestão é de que ela vai aparecer lavando o cabelo com água oxigenada ali nos primeiros minutos de filme, seduzindo e tal...)



    Alexandra Daddario as Annabeth Chase. Semi-aprovado.


  • ·         Brandon T. Jackson interpreta Grover Underwood e... meu Deus, o melhor personagem. O Grover do livro é um pouco mais amuado e medroso do que o do filme; que, por sua vez, é todo extrovertido, engraçado e espaçoso. Te falar, acho que a mudança na personalidade do Grover foi o único acerto do roteiro do Craig Titley. E, embora na foto d'Os Arquivos do Semideus o Grover seja meio ruivo, Brandon arrasou no papel e deu ao personagem toda a vivacidade que ele precisava para brilhar.
     
    Brandon Jackson as Grover Underwood. Super-aprovado!



  • ·         Pierce Brosnan interpreta Quíron, e... tudo bem, outra escolha certa. Falando sério: o cara é uma lenda. Quem nunca assistiu nenhum dos filmes dele como James Bond?! Quer dizer, eu totalmente não esperava que o agente 007 fosse ser um perfeito centauro, mas o Mr. Brosnan já nos mostrou que faz o que faz com maestria, sambando na cara de todos os que diziam que não ficaria bom. Esse cara merece aplausos, apenas.
    (Além disso, eu adoro o papel que ele faz em Mamma Mia! Prontofalei.) 


    Pierce Brosnan as Quíron. Aprovadíssimo!
  •  Jake Abel interpreta Luke Castellan. Bela escolha. Digo, bela escolha. Jake já nos mostrou ser um grande ator, além de gostar de mostrar sua beleza estonteante para as menininhas de dezesseis anos que escrevem colunas inúteis sobre adaptações literárias para o cinema em um blog. Quem dizia que o cara nunca perderia o jeito Disney de viver estava muito enganado. Muito embora o Luke do filme seja menos interessante que o Luke do livro, Jake... me fez até gostar. (*cofcofcof*)

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     Jake Abel as Luke Castellan. Aprovado. Uh-huh...



Olha, gente, o elenco é enoooooooorme. Eu não estou a fim de falar de cada deus aqui, então simplificarei: Hades, Poseidon, Zeus e Atena estão o.k. Uma Thurman como Medusa também arrasou (mas quando é que a Uma Thurman não arrasa, minha gente?). Ainda estou muito chateada por não ter visto a Clarisse ou o Ares, mas... vamos ver o que acontece no próximo filme. Acontece que o roteiro simplesmente acabou com o resto do filme, de modo que é meio que impossível não desgostar de um personagem só por causa do script que foi dado a ele. Tipo, se você queimar um cupcake, não importa quanto chantili você coloque em cima, ele continuará ruim. 
Muitos fatos foram alterados e isso é uma droga total. Honestamente, eu espero que O Mar de Monstros seja melhor, mas tá tão difícil... 
No geral, a escolha de elenco não foi ruim. Todos são e foram bastante competentes. É. Mas (como todo o resto do filme) poderia ter sido melhor. 






Pre-pa-ra que é a hora de eu dar spoiler. Caso você não tenha lido o livro ou visto o filme, não é indicado que continue lendo essa parte do artigo, tudo bem, amiguinho? 
Não diga que eu não avisei. 
Eu posso dizer com clareza que detestei o final da adaptação cinematográfica. Falando sério. Craig, o Gênio, não só matou uma “lenda”, como boicotou toda a passagem do trio (Percy, Annabeth e Grover) no Mundo Inferior. No livro, Perséfone (deusa da primavera e esposa de Hades) NÃO ESTÁ NO MUNDO INFERIOR, e NÃO fica flertando com o Grover, meus deuses! Isso é absolutamente ridículo. 
Pode-se dizer que, no filme, Hades é quase um idiota. No livro, ele mete medo. 
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me you bed now
rsrsrs
Além disso, Percy recebe uma mochila com suprimentos de Ares alguns dias antes de eles dirigirem-se para o mundo inferior. Assim que a mochila passa pelas dependências do reino de Hades, o raio roubado de Zeus se materializa lá dentro — ou seja, não!, o raio não estava no escudo de Luke, e tampouco poderia ser encontrado antes de estar no mundo inferior. 
Thalia não é citada. A volta de Cronos também não é. 
E, meus caros, se vocês acharam Luke um filho da mãe no filme, esperem para ler o livro. 
Outra coisa que muito me irritou foi o relacionamento de Percy e Annabeth. Dá vontade de vomitar neles! Tanto na captura da bandeira, quanto em outras cenas idiotas que enfiaram no filme SEM A MÍNIMA NECESSIDADE, existe uma tensão sexual tão grande entre eles que dá para se cortar com uma faca. A ANNABETH NÃO CHAMA O PERCY DE CABEÇA DE ALGA NENHUMA VEZ! 
Acho que vou chorar. 





Eu gostaria muito de ter lido Percy Jackson e os Olimpianos: O Ladrão de Raios antes de assistir ao filme. Entretanto, acho que só odiaria a adaptação ainda mais. Então... 
Motivos para se ler o livro: A narrativa de Riordan é tão gostosa, fluída, bem feita e leve que você vai se surpreender com o quanto vai gostar. Percy é um protagonista incrível e consegue narrar as cenas de ação carregadas de bom-humor e bastante ironia. Até a Annabeth dá para se amar! Além disso, para quem não tem a mínima noção de mitologia grega, pode ficar sabendo uma coisinha ali e outra aqui. Talvez você até aprenda a gostar. 
Motivos para se ver o filme: Falar mal do roteirista após a leitura do livro. E, ah, Jake Abel. É. 

Muito amor ♥