3 de ago de 2013

Não sou uma dessas garotas malucas




Ela havia sonhado com ele. Pensou nele quando acordou, pensou enquanto escovava os dentes e continuou pensando enquanto queimava sua torrada e a engolia com um copo de leite. Ela estava pensando nele quando saiu para correr (escutou a música dos dois!), quando tomou um banho em seguida (pode pensar besteira, ela pensou também), e estava pensando nele quando sentiu aquela carência louca bater, assim do nada, às nove da manhã.
Hayley Williams pensava bastante em seu namorado, que a amava. Ah, ele a amava tanto quanto ela o amava — e ela o amava de um modo tão colossal que, às vezes, seu coração parecia que iria explodir só com a visão dos olhos e cabelos castanhos dele. Eles eram o casal mais perfeito, ela pensava. Nascidos um para o outro. O destino os unira. Afinal, todas os indícios provavam claramente que o encontro dos dois havia sido obra do acaso. Hayley ainda se lembrava de Josh, totalmente gostoso com sua Fender nos braços, naquele palco, cantando e tocando como o mais belo músico californiano que ela já conhecera.  Hayley estava assistindo ao show na terceira fila de garotas e sentia o suor se acumular nas piores partes de sua pele pálida quando Josh dirigiu seus olhos a ela. Uau, que vertigem, aqueles olhos maravilhosamente lindos bem presos aos de Hayley, os dedos correndo a guitarra, a música saindo de seus lábios com paixão. Hayley sentiu seu coração acelerar e soube, sem dúvidas, que aquele era O Cara.
Embora o concerto tenha durado apenas alguns minutos a mais, o destino estava mesmo disposto a fazer daqueles pombinhos um casal. Adivinhe quem estava sentado ao lado de Hayley no banco da montanha russa, duas horas depois?! Isso mesmo! Josh Farro, o guitarrista de braços fortes e olhos de chocolate. Hayley havia segurado seu braço quando ambos despencaram das alturas, e ela pôde ouvir sua risada forte e característica. Muito envergonhada, ela soltara seu braço e agradecera, ao fim do caminho. E sabe o que ele havia dito, depois disso?
— Não se preocupe, gata. Estarei sempre aqui para confortar as donzelas em perigo.
E então piscou um dos olhos.
Ai, meu Deus, Hayley tinha pensado. Ele me adora. Não vou deixá-lo ir embora.
Hayley não deixou, afinal, fora o destino que os unira, não é mesmo? O destino fez com que ele olhasse para ela daquele jeito durante o show. O destino fez com que ambos se reencontrassem no banco da montanha-russa (mesmo que Hayley tivesse que segui-lo por duas horas, inclusive indo ao banheiro, esperando por vinte minutos até que Josh saísse de lá. Sinceramente, ele estava tão apertado assim?). O destino os juntara, e mostrara para Josh o quão perfeitos um para o outro eles eram. Estava explícito em seus olhos, estampado no meio da sua cara. Josh estava apaixonado por ela! Apaixonou-se por ela no momento em que a avistou no meio da plateia daquele show!
Após o flerte na montanha russa, eles foram tomar um romântico milk-shake juntos. Josh contou sobre sua banda e sobre seus amigos — disse a ela que crescera na Califórnia, mas que estava em Los Angeles para estourar com seu som. Hayley sabia que aconteceria. Josh era o guitarrista mais talentoso que ela já conhecera. Ela sabia que, cedo ou tarde, seu talento imensurável seria descoberto e, então, ele se tornaria o maior rockstar da história daquele país.
Hayley pôde vê-los juntos em um hotel cinco estrelas, tentando fugir dos paparazzi, fãs enlouquecidas gritando no térreo, Josh sem camisa enquanto cantava mais uma canção inspirada nela, com seu violão acústico.
Eles passaram aquela noite juntos. O livro dizia que só se podia transar com um cara depois de cinco encontros, mas ela achou que o olhar na plateia já contava como um, a montanha russa como outro, e o milk-shake e o pub durante a noite foram acontecimentos separados. De quatro para cinco, faltava apenas um encontro, e ela achou que já estava bom o suficiente. Além do mais, Josh era o cara. Ela podia sentir. Ele era músico, lindo, engraçado, enigmático, forte, carinhoso, ambicioso, inteligente...
Praticamente sua versão masculina que sabia tocar violão.
Fazia duas semanas desde o dia em que eles se conheceram, e Hayley não poderia estar mais certa de seu amor. Josh era a personificação da perfeição, e ela sabia absolutamente tudo sobre ele. Anotara em um caderninho para não esquecer. Sua cor favorita era azul, comida favorita era pizza. O único perfume que ele usava eram um desodorante Axe, e ele comprava dois tubos por mês (ela pôde notar ao remexer o cesto de lixo dele). Tinha 2.213 amigos no Facebook. Hayley também anotara seu endereço de IP, só para garantir. Só usava cartão de crédito Mastercard (Hayley também sabia o número e a senha). Tinha vinte e quatro anos, nascido no dia 29 de setembro, o que queria dizer que ele era de libra. Tinha quatro irmãos, um mais velho e três mais novos. E vivia “curtindo” fotos de umas vadias no Instagram.
Mas ele a amava. Era dela. De mais ninguém.
É claro que Josh estava meio confuso, o que, segundo o livro, era totalmente normal. “Homens são tão centrados quanto uma luneta quebrada”, uma citação da página 78, do capítulo 5, “Como fazê-lo decidir”.  Na noite anterior, Hayley havia ligado algumas vezes para ele durante o dia, sugerindo implicitamente um filminho e alguma coisinha mais interessante à noite. O livro deixava bastante claro que o homem tinha que ter certeza de que a ideia era dele, para que não considerasse o programa uma chatice. Se ela desse pequenas alfinetadas e ele o fizesse para agradá-la, significava estava realmente muito apaixonado.
Como Hayley já esperava, ele apareceu logo após o pôr do sol. Sentiu aquela agradável vertigem de prazer correr pelo seu corpo assim que o viu, uma camiseta regata vermelha pairando sobre o peito definido, a mandíbula tensa, o rosto sério. Coitadinho, devia estar lutando muito para não deixar expressar o quanto a amava, o quanto estava feliz por vê-la ali, em seu apartamento com vista para o mar (o pai de Hayley disse que ela só moraria na Califórnia se ele mesmo pudesse pagar pela moradia).
Quando ela o beijou apaixonadamente, Josh estava um pouquinho rígido no início, mas não demorou muito para deixar-se perder pela imensidão de seu sentimento e beijá-la de volta com ardor. Hayley adorava beijar Josh, principalmente por causa de seu piercing no lábio inferior e suas habilidades com a língua (Hayley não gostava muito da palavra “língua”, mas não se importava que Josh tivesse habilidades com ela). Ele tinha aqueles cabelos lisos espetados que eram bons de apertar e, céus, Josh era tão gostoso e tão “bom de cama” que fazia Hayley querer chorar.
(Ela de fato chorara depois da primeira transa no dia do show, mas Josh foi muito carinhoso e apenas ficou quieto, deixando-a dormir. Ele foi tão fofo que saiu no meio da noite para não acordá-la. Disse-lhe no dia seguinte, quando Hayley ligou para ele, que estava com medo de acordá-la (depois de ficar muito surpreso que Hayley tivesse conseguido o seu telefone, mas ela riu e falou que anotou-o enquanto ele estava no banheiro do pub)).
No meio do beijo apaixonado — como haviam sido todos os outros desde o dia 4 de Julho, o dia que se conheceram (Hayley conseguia se imaginar contando para os filhos que conhecera o pai deles em uma festa de 4 de Julho) —, entretanto, Josh segurou seu rosto e a afastou, tentando falar alguma coisa. Hayley foi muito compreensiva e olhou para ele, os olhos verdes esmeralda brilhando pela visão do homem que amava.
— Espera, espera, espera — repetiu Josh, o fôlego voltando aos seus pulmões —, é isso que tem que parar. Isso tem que parar.
Hayley sorriu, mordendo o lábio inferior.
— O brilho de cereja — disse, pegando a mão de Josh e puxando-o para dentro de sua casa. — Sabia que você preferiria menta. Sabia. Não se preocupa, não vai mais acontecer.
Josh passou as mãos pelo rosto, respirando muito fundo.
— Não, não é o brilho! — vociferou. Hayley franziu o cenho só um pouquinho, achando seu comportamento muito estranho. Ah, pobrezinho. Não deve ter tido um dia bom com os meninos da banda. — Eu estou pouco me fodendo para o tipo de brilho labial que você usa!
Hayley não podia acreditar no que ouvira.
— Ooooooooh! — disse, prendendo os seus braços no pescoço dele. Beijou-o ali mesmo. — Isso foi tão fofo, amor. Mas você sabe que eu posso usar o brilho que você quiser, o.k.?
— Hayley, Hayley — Josh pegou suas mãos e as afastou de si mesmo, dando um passo para trás. — Não me chame de amor, tudo bem?
— Mas eu te am...
— Não! — ele a interrompeu, seus olhos de chocolate preocupados, apreensivos. Hayley entendeu imediatamente. O capítulo 9 do livro dizia sobre os homens que tinham medo de relacionamento e não gostavam de pronunciar a palavra “amor”, mesmo que seus corações fossem faróis irradiando luz de paixão, desejo, e ternura. “Eles acham que se não proferirem a palavra, estarão livre do sentimento que domam seus corações.”, dizia a página 102. — Hayley, escute. “Amor” é uma palavra muito forte, tudo bem? Eu acho que a gente precisa de um tempo. Beleza? Vamos mais devagar.
Hayley assentiu com a cabeça, compreensivamente. O livro também falava sobre quando os homens sugeriam “ir mais devagar” no relacionamento. Significava que eles precisavam de alguns dias sozinhos, para colocarem a cabeça no lugar. Ela deveria deixar acontecer, afinal, “a saudade é a cereja do sorvete do relacionamento” (página 54). Na cabeça de Josh, ele achava que estava tomando um tempo para si mesmo, mas na realidade, estava tomando um tempo para focar no romance inabalável deles.
Hayley entendia.



Now when you say you wanna slow down... Does it mean you wanna slow dance?

Maybe you just want a little extra time to focus on our romance.




— Tudo bem — respondeu, um sorriso triunfante aparecendo em seu rosto pálido. Aproximou-se de Josh que a olhava com admiração pela sua atitude tão louvável, e beijou-lhe os lábios, devagar e apaixonadamente. Ele ainda estava meio rígido, mas ela sabia que ele só estava estupefato pela perfeição que os dois eram.
— Espera — ele segurou seus braços e separou seus lábios outra vez, encarando-a. — Tudo bem mesmo? Vamos dar um tempo?
Pobrezinho, já estava com saudades dela.
— Sim, se você acha que é melhor, faremos isso. Tudo por nós dois, amor.
— Não! — Josh deu mais um passo para trás, separando-os. — Não é por nós dois! Nós nem estávamos namorando, para começo de conversa! Você simplesmente roubou meu número de telefone e começou a dizer para todo mundo que era minha namorada!
Hayley deu um sorriso. O tão conhecido estágio de negação. Durante a madrugada, ele reveria o que tinha dito e olharia para dentro do seu coração, onde estava estampado seu amor por ela e as desculpas que ele usava para não ver que ambos estavam juntos por causa do destino.
— Você não entende, Josh, mas sente — disse ela, calmamente. — Você me ama.
— Puta que pariu!
— Tudo bem, não vamos usar essa palavra — Hayley sorriu angelicalmente. — Mas você sabe que gosta de mim. Está tudo bem. Você precisa de um tempo para focar em nós dois. Daremos um tempo.
Coitadinho, ele estava tão confuso que sequer conseguiu responder. Hayley selou seus lábios e Josh afastou-se outra vez, levando as mãos aos cabelos.
— Tudo bem, então... tchau. Adeus. — Disse, confusíssimo, os olhos de chocolate dispersos no apartamento de Hayley. Ela riu. Poxa, ele não iria passar a noite?
— Tchau, am... Josh — ela controlou a própria língua (ugh, Hayley não gostava dessa palavra). Josh havia olhado por cima dos ombros umas três vezes enquanto se afastava do apartamento em direção à sua moto de 250 cilindradas. Hayley decidiu dar a ele o tempo que precisava e limitou-se a apenas pensar nele durante o resto da noite e a manhã seguinte.



What do you mean I got it backwards? You know we're gonna be forever.

Why are you telling me goodbye? Aren't you gonna stay the night? 



Decidindo que quinze horas e vinte e quatro minutos já devia ser tempo mais que suficiente, Hayley pegou sua bolsinha e saiu à pé, de sandálias, em direção ao lado menos favorecido da cidade. Seu carro estava no conserto, mas ela gostava dos ônibus de Los Angeles. O mais legal dessa cidade é que todos pareciam ter sonhos e algum talento em especial. Ou então eram turistas.
Aquilo não importava na hora, porque Hayley mal conseguia conciliar seus pensamentos com toda aquela saudade. Se fechasse os olhos, ela podia fingir que ele estava ao seu lado, abraçando-a e sussurrando em seu ouvido. Ela percebeu que estava fazendo a coisa certa em ir até a casa dele; Josh não era só o músico mais gostoso de toda a Califórnia, era também o dono do seu coração. Eles estavam predestinados a ficarem juntos.
Hayley puxou o iPhone e discou o número dele, que já sabia de cor. Esperava ouvir sua voz entrecortada pela ligação, aguardando ansiosamente a sua chegada na casa dele. Infelizmente, entretanto, a chamada caiu na caixa postal. Hayley já devia imaginar. Josh, o esquecido, deveria ter deixado o telefone descarregar. Bobinho.
— Oi, amor, como vai o seu tempo? — Hayley riu. — Deve estar ótimo, não é mesmo? Até posso te imaginar sentado no seu sofá meio imundo, assistindo a um filme romântico e pensando em nós dois. Olha, eu acho que já foi o suficiente, e estou tão mortinha de saudade de você, que peguei um ônibus e vou te ver. O que acha? — Ela riu de novo. — Eu sei que você amou a ideia. Achei linda também. Adivinha: sonhei com você hoje. É, eu sei, você deve ter sonhado comigo também. Mas, enfim, deixa eu te contar. Nós estávamos em Paris, e havíamos acabado de sair de um daqueles cafés de Paris, e enfim, você estava simplesmente lindo com sua roupa parisiense, e então disse que me amava as margens do rio Sena depois de um passeio de bicicleta. Fofo, né? Ai, amor, eu penso em você o dia inteiro, e te amo te amo te amo tanto que nem posso falar. Enfim. Como você passou a noite e o início dessa manhã? Eu fui correr pela praia bem cedo porque não conseguia dormir por pensar muito em você, e foi muito gostoso, porque aqui na Califórnia faz frio de manhã. Que coisa louca, não é?! Fazer frio na Califórnia?! — Hayley riu mais uma vez. — Vou parar de falar para não descarregar a bateria do meu iPhone. Você sabe que a vida de uma borboleta dura dez vezes mais do que ela. Te amo, amor! Te vejo daqui a alguns minutos! Mal posso esperar. Tô com tantas saudades do meu amorzinho! — ela afinou a voz como se estivesse falando com um bebê ou um cachorrinho. — Te amo mais do que amo chocolate! Awnn! Beijo! Te amo!
E desligou, sem se dar conta de que duas dúzias de pares de olhos estavam sobre ela. Respirou fundo e colocou o iPhone nos bolsos de seu vestido floridinho (um dos poucos que ficavam bem em seu corpo), sentindo-se melhor do que nunca, seu peito irradiando felicidade e o amor que nutria por um único homem.



Now I walk under a pink sky... Lovers float along and pass me by.
I pour my heart out of your voicemail, let you know I caught a bus to your side of town.





Alguns minutos mais tarde, Hayley Williams estava batendo na porta do apartamento de seu namorado. Ele morava com seu irmão, Zac, que só por acaso era também o baterista de sua banda de rock (simplesmente a melhor do universo, na opinião dela), mas tinham quartos separados. Hayley precisou rastrear o celular de Josh para conseguir seu endereço na primeira vez, mas agora já era considerada uma visitante natural pelo seu cunhado, que sempre ria para ela.
Ninguém está em casa, Hayley refletiu. Já estava batendo na porta há mais ou menos cinco minutos, ouvindo o som da Los Angeles atrás de si. Sentiu seu coração murchar aos pouquinhos, o anseio de vê-lo correndo suas veias junto ao sangue. Céus, por que ele não estava em casa às 11h21 da manhã? Já se passara tempo o suficiente! Ela achou até que ele se ofereceria para dar-lhe uma carona na sua moto, e eles teriam um almoço romântico, enquanto ele fazia um A Capella da mais nova música que compusera pensando nos olhos verdes de Hayley.
Suspirando, Hayley pegou sua bolsinha e retirou seu molho de chaves lá dentro. Bem, ao menos ela havia feito uma cópia da chave da casa dele, não é? Mesmo que ela não houvesse avisado a Josh, tinha a consciência de que ele não gostaria nada de saber que ela o esperara chegar fora de casa, com o sol queimando suas costas. Não era uma invasão. Hayley só iria esperar ele voltar e fazer-lhe uma surpresa. Se bem conhecia Josh, ele iria amar.


 And now I'm standing at your doorstep with Los Angeles behind me. 
If you don't answer I'll just use the key that I copied 'cause I really need to see you.



Uma vez dentro do apartamento, ela se pegou sozinha em meio a um monte de pacotes de salgadinhos vazios, toalhas, camisetas, meias e cuecas espalhadas pelo chão, somado àquele cheiro característico de não-tem-mulher-morando-aqui. Prendeu a respiração. Aquilo só podia ser obra de Zac! Hayley sabia que Josh era o homem mais perfeitamente organizado do mundo. Passava horas polindo sua guitarra para deixá-la sempre brilhando. Estava sempre muito bem vestido, absolutamente lindo. Até escrevia tudo certinho e sem abreviações quando eles conversavam pela Internet.
Ainda com os dedos apertando o nariz, Hayley seguiu até a segunda porta à esquerda do corredor, o quarto de Josh. Soltou a respiração. Sua cama não estava arrumada, mas ela entendia; ele devia ter saído às pressas para fazer uma apresentação em um barzinho e comprar-lhe um ramo de rosas. Hayley sorriu e foi até a cabeceira, vendo seu desodorante sem a tampa, e espirrou um pouco no ar para poder sentir seu cheiro. Foi como se o corpo dela se incendiasse por inteiro, aquele cheiro característico sendo ligado a ele, o homem que ela amava.
O tubo de desodorante se encontrava em sua mão quando ela dirigiu-se até o seu armário. Ainda sentia a profunda vontade de sentir o cheiro de sua pele, como se ele estivesse ali, junto a ela, porque ela precisava vê-lo, precisava de Josh ali. Com a porta do closet aberta, ela prendeu a respiração pela pura excitação. Parecia um paraíso Joshiniano. Perfeitamente arrumado (como ela presumira), suas calças de um lado, as jaquetas e camisetas de outro. Os cintos e assessórios estavam em um dos cantos. Sem pensar, Hayley pegou uma jaqueta e vestiu-a, sentindo imediatamente o cheiro impregnado daquele homem que ela tanto amava. Apertou as mangas contra o próprio nariz e respirou fundo.
— Eu te amo — sussurrou ela para a camiseta, o cheiro impregnado nas narinas. — Eu juro que nunca vou amar ninguém como te amo.


If you're not here when I break in, I'm gonna go through your closet, just so I can smell your skin...
As the chemicals swin...
I know I'll never love again, I swear I'll never love again!

 

— CARALHO! — tão absorta em seu murmúrio como estava, ela não viu Josh adentrar o quarto e assustar-se com a sua presença. Agora ele olhava para ela como se não acreditasse no que estava vendo, uma mão pousada no peito e a fisionomia toda errada pelo susto que havia levado. Tão bonitinho! — Hayley?!
— Claro que sou eu, seu bobo — ela sorriu, sem acreditar que ele estava realmente ali. Céus, como ela sentia saudades de sua pele, daqueles olhos castanhos, de seus lábios. Foi em direção a ele, mas Josh se esquivou como se sua vida dependesse daquilo. Hayley riu. Um joguinho, certo?
— O que... por quê... como... puta que pariu! — Josh alisou os próprios cabelos. — Como você entrou aqui, caralho?!
Hayley continuou rindo. Josh era a coisa mais fofa do mundo quando estava irritado.
— Com a chave, duh.
— Eu não te dei uma chave — ele a encarava, furtivamente.
— Por isso que eu tive que mandar fazer uma para mim, não é? Eu te liguei, mas como você deixou seu celular descarregar, deixei um recado dizendo que eu estava vindo para cá. Só que você não estava...
— VOCÊ FEZ UMA CÓPIA DA MINHA CHAVE? — Josh interrompeu-a, vociferando. Hayley tentou aproximar-se dele de novo, mas Josh deu a volta na cama para fugir de seus braços. — Puta que pariu. Puta que pariu.
— Você não queria que eu ficasse esperando você voltar no sol quente, queria?!
Hayley estava fazendo o joguinho dele de propósito. Conhecendo Josh do jeito que conhecia, tinha consciência de seu coraçãozinho mole e sempre apelava para esse lado quando ele começava a ficar irritado. Ele estava a dois metros de distância dela, tentando impedir seus corpos de colarem, pois sabia que no momento em que os seus lábios se tocassem, a paixão explodiria, deteriorando toda a raiva que havia em seu corpo.
Hayley compreendia tão profundamente sua luta interna.
— Sabe o que eu queria, cacete?!
— Você fica tão bonitinho quando xinga — ela não conteve o comentário fofo, sabendo que amoleceria seu coração.
Josh abriu a boca para falar outro palavrão, mas pareceu mudar de ideia. Hayley deu uma risada ao ver o quanto ele era tímido.
— O tempo, Hayley. E o tempo que nós combinamos? A gente não combinou de ir devagar? — Josh parecia muito mais calmo agora. Falava de um jeito muito manso e juntara as duas mãos em uma só, os olhos castanhos desesperados (provavelmente pela falta de contato que já durava dezesseis horas).
— Já são quase dezesseis horas de tempo, amoreco — disse ela, sorrindo. — Eu acho que já é tempo o suficiente, não?
Josh pareceu ficar sem respirar por um minuto, encarando-a no fundo de seus olhos, tão apaixonadamente que Hayley quase sentiu vontade de chorar de novo. Por fora, seu namorado tentava passar a imagem de guitarrista durão mas, céus, como ela conhecia seu interiorzinho sensível, seu coração bom que irradiava o amor que os envolvia.
— Tudo bem, porra — Josh pareceu voltar ao mundo real e juntou as mãos, aproximando-se de Hayley com certa cautela. Havia certa acidez em sua voz, mas até que era excitante, se Hayley fosse parar para pensar. — Eu vou ser bem direto. Tudo bem? Bem direto. — Então seus olhos castanhos estavam encarando os globos verdes de Hayley. — Eu estou terminando com você. Acabou. Não existe mais namoro. Nós acabamos. Eu terminei com você, porque você é simplesmente a pessoa mais maluca, psicótica, estranha e terrivelmente grudenta que eu já vi em toda a minha vida. Saia da minha casa. E não volte. E não ligue para mim porque, porra, eu jogo a merda do meu telefone embaixo de um ônibus se tiver que ouvir a sua voz mais uma vez.
Hayley franziu levemente o cenho, olhando para Josh enquanto tentava compreender corretamente as suas palavras. Tentou encontrar na memória algum trecho do livro que falasse sobre falsa hostilidade, mas não se lembrou de nada — porque, bem, Josh simplesmente não era capaz de falar tanta coisa sem ser a mais absoluta baboseira. Afinal, ele a amava. Os dois estavam predestinados a ficarem juntos, porque assim queria o destino. Além disso, o sexo era maravilhoso (mesmo que eles não fizessem sexo há treze dias e se conhecessem há quatorze).
— O que houve, amor? Foi algo no trabalho, não foi? — ela aproximou-se dele mais uma vez.
— Você ouviu uma palavra do que eu disse?! — ele praticamente gritou com algo muito parecido com o desespero.
— Você está irritado por causa do trabalho. Eu entendo.
— Você é doida, doida... — Josh se esquivou novamente de seus braços, respirando fundo como jamais fizera em toda a sua vida. Hayley já estava totalmente a par do que havia acontecido com ele. No mínimo, brigara com alguém da banda ou não fora devidamente pago pelo seu talento musical irrefreável. — Sai da minha casa. Sai. Da. Minha. Casa. E retire a minha jaqueta. Agora.
Ah!
— Entendi — Hayley sorriu e retirou a jaqueta de algodão tão cedo quando pôde, depositando-a no armário mais uma vez. — Você está com vergonha da casa desarrumada. Oh, amoreco, não se preocupe com isso. Eu sei que não é sua culpa, e sim do Zac.
— EU ESTOU POUCO ME FODENDO PARA ESSA MERDA DESSA CASA — ele gritou. — Eu só quero você fora da minha vida! Eu quero terminar! Terminar! TERMINAR! Caralho, é tão difícil assim de entender? Eu não te amo! Não quero ficar com você! Não quero namorar com você! Você é maluca, você é a pessoa mais maluca que eu já conheci!
Lentamente, Hayley franziu o cenho.
— Você quer terminar? — perguntou, bem baixinho, esperando que Josh olhasse para seu rosto amedrontado e a pegasse nos braços, dizendo que não, ela havia entendido tudo errado.
— SIM! SIM! ISSO! — ele gritou, entretanto. — Sim. Isso. Quero terminar. Isso.
Não!, Hayley pensou. Eles não podiam terminar, porque estavam predestinados! Pertenciam um ao outro! O destino os unira! Como eles podiam terminar o relacionamento se estavam tão profundamente apaixonados um pelo outro?
Mantenha a calma, ordenou ela a si mesma. Um relacionamento é feito de altos e baixos, e uma discussão nunca significará exatamente um término. Página 144.
— Podemos resolver isso juntos — disse ela, esperançosamente, um sorriso pairando em seu rosto. — Eu posso, talvez, fazer você mudar de ideia. Não podemos ter acabado, Josh. Nos amamos.



Baby, are we over now? Maybe I can change your mind...
As soon as you walk out my door, I'm gonna call a hundred times.
 

— Eu não te amo! — respondeu ele. — Eu te conheço há DUAS SEMANAS. Não existe possibilidade cabível que faça com que um homem ame uma mulher em apenas duas semanas!
— Existe, se o casal estiver predestinado a ficar junto. Como nós dois.
— Puta que pariu!
— Nascemos um para o outro, Josh.
E ele estava mexendo no cabelo de novo, os braços erguidos acima dos ombros, os olhos castanhos ligeiramente sombrios. Céus, o pobrezinho estava tão confuso, como Hayley pôde não ver? Sendo invadido, de repente, por tanto sentimento, qualquer um estaria perdido...
— O que eu fui fazer para merecer isso... — ele estava falando sozinho.
— Você só está confuso. — Disse Hayley, compreensivamente.
Josh finalmente abaixou os braços e foi em direção à Hayley. Ela sentiu o coração bater com o triplo da força quando ele segurou seus ombros, com força, os olhos castanhos desesperados.
— Tudo bem. Eu estou transando com outra mulher. Loira. Alta. Olhos claros. Eu a amo. E ela se chama... Kat...Kate...Kait...Kaitlyn. Kaitlyn Keyes. E eu não consigo mais sustentar essa mentira. Você merece alguém melhor que eu.
Hayley sentiu o mundo parar de girar.
— Você está brincando — afirmou, quase sem voz, enquanto Josh continuava a segurar seus ombros. Ele deu um suspiro dramático e disse:
— Não estou, baby. Não estou. Eu sinto muito. Sou um canalha. Vou entender se você quiser ir embora agora.
Hayley virou-se de costas, absorvendo suas palavras. Então era por isso que ele andava estranho! Uma vadia estava tentando roubar seu lugar! Maldita Kaitlyn Keyes. Pessoas como essa mulher detestável era o que fazia com que casamentos acabassem e casais predestinados saíssem do rumo que o destino havia lhes traçado.
Seus olhos marejaram de leve e, sentindo raiva de Josh — mas principalmente de Kaitlyn Keyes —, ela pegou sua bolsa e dirigiu-se para a porta da casa, praticamente correndo, para que seu namorado não tentasse segui-la. Ela sabia que Josh tentaria, absolutamente, mas precisava de um tempo sozinha.
O livro não falava sobre traição, e, mais do que nunca, Hayley desejou que falasse. Desejou que aquilo — quando um casal estava predestinado para ficar junto e uma vadia interesseira e desmancha-lares se enfiava no meio — pudesse acontecer a outras pessoas para que elas pudessem dizer a Hayley o que fazer. Josh havia sido um canalha ao trai-la, era verdade. Mas, céus, ela ainda o amava tanto. Ainda sentia toda a vontade, ainda lembrava-se de quando o conhecera e de quando se beijaram pela primeira vez. Ela tinha tanta certeza de que eles foram feitos para serem um do outro, para sempre, como duas peças de um quebra-cabeça de duas peças...
Limpando uma das lágrimas enquanto se dirigia ao ponto de ônibus, Hayley decidiu o que iria fazer. Segurou seu iPhone e digitou o número já conhecido.
Farro — disse a voz dele, atendendo no primeiro toque.
— Oi, amor — disse ela. — Eu estava...
PORRA, HAYLEY! — a voz de Josh interrompeu-a antes que ela pudesse dizer tudo o que estava decidida. Seus olhos se encheram de lágrimas outra vez. Puxa, ele estava claramente surpreso e emocionado em vê-la ligando tão cedo, mesmo depois da traição... eles eram tão perfeitos juntos! Como Hayley pôde sequer imaginar deixar que seus caminhos fossem separados? Simplesmente não estava certo!
— Eu sei, eu sei — ela disse, respirando fundo. — Pensei em tudo o que você acabou de me dizer. Eu sei que você me ama e acredite em mim quando eu digo que te amo muito mais do que aquela puta da Kaitlyn Keyes. Portanto, vamos passar por cima disso. Nós podemos, Josh. Podemos passar por cima disso.
Do outro lado da linha, ela podia ouvir a respiração entrecortada de Josh. Céus. Ele não deveria estar acreditando na bondade dela em perdoá-lo.
NÃO PODEMOS, NÃO! — gritou ele. — Caralho! Puta que pariu!
Hayley limpou uma lágrima enquanto deixou-se sorrir.
— Não posso acreditar no quão fofo você fica xingando, amor — sussurrou para o telefone. — Apareça no meu apartamento hoje à noite, sim? Não vimos aquele filminho ontem à noite.
Mas...
— Eu te amo, amor. Beijo! Até mais tarde — e desligou o telefone, encarando-o, decidida a procurar pela Kaitlyn Keyes na Internet assim que chegasse em casa e avisá-la para se afastar do homem de sua vida.
Destruidora de lares maldita.
Mas ela teria uma surpresa, porque o amor de Hayley e Josh era muito maior do que qualquer vadia que tentasse se meter entre eles. E, por mais que Josh estivesse confuso (a ponto de dizer todas aquelas asneiras para Hayley, pouco antes), seu coração sabia a quem pertencia.
Josh era de Hayley, assim como Hayley era de Josh. As coisas eram simples assim.
Além disso, caso Josh viesse com aquela historinha de “terminar” novamente, Hayley sabia que o faria mudar de ideia. Mesmo que, para isso, tivesse que ligar para ele cem vezes assim que ele saísse de sua casa.
E, se você está pensando que Hayley é uma dessas garotas malucas (e Hayley sabe que está, afinal, muitas pessoas parecidas com você já disseram isso para ela), saiba que está errado. Até mesmo porque um poeta desses já dizia que o amor é a maior das loucuras.


I'm not one of those crazy girls...





Oi, amores da minha vida! Eu sei que tenho andando longe daqui (*recebe pedradas na cara*), mas eu posso explicar o que estava acontecendo. :3
O problema real começou pouco depois do início do mês, tipo, quando eu comecei a enfrentar o bloqueio criativo (logo depois de terminar de escrever o livro. Enfim, eu estava tentando (e tentando para valer) escrever a Trucker, mas simplesmente não rolou ): E eu não sei quanto tempo ela vai continuar em hiatus, porque o bloqueio que me pegou foi muito forte mesmo (o pior em toda a minha vida), e eu não estou conseguindo me apegar a NADA.
Essa foi a primeira fic que eu de fato terminei. Ficou grandinha, e tals, eu sempre quis escrever algo sobre essa música, então fiquei feliz com o resultado. Vocês gostaram? DIGAM-ME!!! Sem medinho, poxa, sou tão legal.
Tá, uma porrada de gente fez aniversário, então eu dedico essa one aos aniversariantes do mês. Que são: Camila Nogueira (05/06), Laisla (06/06), Bruna Sthefany (04/07), Giovanna Costa (LINDA MARAVILHOSA QUE ME CONSEGUIU RECADINHO DA HAYLEY TE AMO PRA SEMPRE AMOR DA MINHA VIDA 07/07), Mary Timo (OUTRA ANJO DA MINHA VIDA QUE ME LEVOU PRO SHOW DA PARAMORE E ME DEIXOU DORMIR NA CASA DELA TE AMO TBM BEBÊ VC É 1 ANJO 08/07), Nathalia Ivanoff (PFTA 14/07),  Gabriela Kessler (18/07) e a Fernanda  Falcão que tá fazendo aniversário hoje e foi a única do Twitter que surtou por causa dessa one. (03/08)
Bom aniversário pra quem fez/tá fazendo, e espero que tenham curtido a bobalhice que foi esse conto AUEHAUHEAH
Muito amorzinho,
Sarinha :3

 


2 comentários:

  1. AWWN QUE FOFURA ;3
    Ameeei demais!! E ri muito com a Hayley muito louquinha HSUAHSUA Coitadinho do Josh HUSAHSUA

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